Conexão de Boston #8
Segunda, 13 de julho de 1998 21:16:12 -0400 (EDT)
Pois é, meus caros leitores, esta Conexão serviria para eu falar da vizinhança brasileira aqui em Boston, Brighton. A idéia era que eu iria para lá, depois do jogo, para comemorar o penta junto com os 50.000+ brasileiros, legais e ilegais, que residem aqui na capital do Commonwealth.
Obviamente, isso não aconteceu.
Mas não se preocupem! Este e-mail não se tornará uma mensagem de rancor, altamente depressiva. De jeito nenhum! Afinal, parte do estereótipo brasileiro é que nós sempre estamos festejando. Inclusive, isso foi provado ontem, embora eu não tenha levado fé.
Depois do lamentável jogo, fui assistir um filme ("The Spanish Prisoner", muito bom, por sinal, a resenha vai sair em breve) e depois fui ao Cambridge Brewing Company (CBC para os íntimos). A ideia de ir a Brighton já não existia mais em minha mente, pois, com certeza, os brasileiros não estariam festejando absolutamente nada. Eis que enquanto eu e minha amiga, Adriana, saboreávamos os nossos sanduíches, a TV mostrava flashes de torcedores franceses e *brasileiros* comemorando!
O que é isso?! Vira-casaca?!
Não. Apenas nossos compatriotas exilados mostrando um bom humor de dar inveja. O raciocínio era: "Nos já ganhamos quatro mesmo." E hoje eu soube que havia, pelo menos, 2.000 brasileiros em Brighton, na noite passada. E eles ficaram lá até altas horas da noite, acompanhados por uma banda.
Não tem erro, galera, 2002 está logo ali. E, no Japão ou na Coréia, não vai ter vantagem pro time da casa (se bem que se a seleção jogar daquele jeito, vai perder para o time mirim do morro Dona Marta).
Como diria o Zagalo: O empate é um bom resultado.
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sexta-feira, novembro 01, 2002
sexta-feira, outubro 25, 2002
Conexão de Boston #7
Domingo, 5 de julho de 1998 23:40:14 -0400 (EDT)
Ontem presenciei a comemoração do famoso feriado americano, "Independence Day", o 4 de julho. E, é claro, farei uma detalhada descrição das festividades.
No entanto, começarei por observar um costume muito interessante aqui da Terra do Tio Sam. Como vocês sabem, o 4 de julho caiu num sábado. Qual não foi a minha surpresa, ao ver um cartaz aqui no mural de avisos dizendo que em virtude disso, não haveria expediente na sexta, dia 3. Após uma investigação detalhada, descobri que quando um feriado cai num fim-de-semana, a sexta ou a segunda é transformada num pseudoferiado, de maneira que você não perde a folga.
Não é um hábito maravilhoso?!
E o pessoal aí no Brasil diz que a gente tem muito feriado! Vê se pode!
Bom, voltando ao tema principal da coluna de hoje, devo dizer que não estava tão a fim assim de ver fogos de artifício. Estava pensando que, em último caso, poderia ser uma opção. Mas acabou que um grupo aqui do lab. combinou de fazer um piquenique à beira do rio para ver os fogos, e eu aproveitei a onda.
Primeiro, vamos a algumas informações básicas. O rio é o Charles, que separa Boston de Cambridge. Do lado de Boston, tem um parque que acompanha a beira do rio, o Esplanade, onde se encontra uma concha acústica, a Hatch Shell. Do lado de Cambridge, você tem a Memorial Drive, que é uma avenida que também acompanha o rio. As comemorações do 4 de julho incluem um show da Boston Pops, que é uma banda que toca temas patrióticos, entre outras coisas. O show começa às 20:00 horas e, às 22:00, tem fogos de artifício. O problema é que, para encontrar um lugar você tem que chegar cedo. O parque abre às 6 da manha, mas já tem gente lá esperando para lutar por um lugar. Parece aquelas histórias de pioneiro americano, onde eles corriam para arrumar um pedaço de terra, só que é mais selvagem.
Tendo em vista que ninguém estava a fim de lutar por um lugar ao sol, e de que os promotores do show instalam alto-falantes que permitem você ouvir o show do outro lado do rio, nós resolvemos ir para lá, para o lado de Cambridge. A muvuca é muito menor lá, tem bastante gente, mas não é apertado, e você encontra um lugar na grama facilmente. A Memorial Drive é fechada ao trânsito, logo, tem bastante espaço.
Como eu disse, era um piquenique. Por isso, levamos comida e bebida. Chegamos às 19:00 e ficamos lá tirando foto, conversando e observando os tipos que passavam. Tem cada coisa! O show começou às 20:00 em ponto, com "The Star Spangled Banner", o hino americano, cantado por um policial estadual. Ele começa com "Oh, Say can you see.." e termina com"...Land of the free, Home of the brave", e no meio temos uns dois minutos de auto-exaltação do tipo "Não se meta conosco, porque a gente é cascagrossa". É claro que eu não tenho certeza disso, pois não conheço a letra inteira; essa informação me foi passada por uma das minhas fontes estrangeiras. Infelizmente, o comitê americano do meu grupo foi um fracasso. Toda vez que tocava uma daquelas músicas patrióticas, eu perguntava "Que música é essa?" e recebia respostas que variavam entre "Não sei" e "Para mim, elas são todas iguais".
Se você tem um barco, você pode subir o rio e lançar âncora na altura das comemorações.
Às 22:00 em ponto, começam os fogos. Devo admitir que eles foram bons. A queima dura 30 minutos e a banda toca músicas que eles tentam sincronizar com os fogos; tem desde "Respect", com a Aretha Franklin, até "Take Five", com o Dave Brubeck.
Dois segundos após o final dos fogos, há um estouro de boiada causado pela súbita correria -- na verdade, é um andar apressado -- das pessoas de volta para os carros. Ninguém quer encarar o engarrafamento. Mas é claro que nós ficamos e apreciamos a noite um pouco mais.
Sou forçado a dizer que gostei do programa. Foi bastante divertido.
Como os americanos dizem: cool!
Domingo, 5 de julho de 1998 23:40:14 -0400 (EDT)
Ontem presenciei a comemoração do famoso feriado americano, "Independence Day", o 4 de julho. E, é claro, farei uma detalhada descrição das festividades.
No entanto, começarei por observar um costume muito interessante aqui da Terra do Tio Sam. Como vocês sabem, o 4 de julho caiu num sábado. Qual não foi a minha surpresa, ao ver um cartaz aqui no mural de avisos dizendo que em virtude disso, não haveria expediente na sexta, dia 3. Após uma investigação detalhada, descobri que quando um feriado cai num fim-de-semana, a sexta ou a segunda é transformada num pseudoferiado, de maneira que você não perde a folga.
Não é um hábito maravilhoso?!
E o pessoal aí no Brasil diz que a gente tem muito feriado! Vê se pode!
Bom, voltando ao tema principal da coluna de hoje, devo dizer que não estava tão a fim assim de ver fogos de artifício. Estava pensando que, em último caso, poderia ser uma opção. Mas acabou que um grupo aqui do lab. combinou de fazer um piquenique à beira do rio para ver os fogos, e eu aproveitei a onda.
Primeiro, vamos a algumas informações básicas. O rio é o Charles, que separa Boston de Cambridge. Do lado de Boston, tem um parque que acompanha a beira do rio, o Esplanade, onde se encontra uma concha acústica, a Hatch Shell. Do lado de Cambridge, você tem a Memorial Drive, que é uma avenida que também acompanha o rio. As comemorações do 4 de julho incluem um show da Boston Pops, que é uma banda que toca temas patrióticos, entre outras coisas. O show começa às 20:00 horas e, às 22:00, tem fogos de artifício. O problema é que, para encontrar um lugar você tem que chegar cedo. O parque abre às 6 da manha, mas já tem gente lá esperando para lutar por um lugar. Parece aquelas histórias de pioneiro americano, onde eles corriam para arrumar um pedaço de terra, só que é mais selvagem.
Tendo em vista que ninguém estava a fim de lutar por um lugar ao sol, e de que os promotores do show instalam alto-falantes que permitem você ouvir o show do outro lado do rio, nós resolvemos ir para lá, para o lado de Cambridge. A muvuca é muito menor lá, tem bastante gente, mas não é apertado, e você encontra um lugar na grama facilmente. A Memorial Drive é fechada ao trânsito, logo, tem bastante espaço.
Como eu disse, era um piquenique. Por isso, levamos comida e bebida. Chegamos às 19:00 e ficamos lá tirando foto, conversando e observando os tipos que passavam. Tem cada coisa! O show começou às 20:00 em ponto, com "The Star Spangled Banner", o hino americano, cantado por um policial estadual. Ele começa com "Oh, Say can you see.." e termina com"...Land of the free, Home of the brave", e no meio temos uns dois minutos de auto-exaltação do tipo "Não se meta conosco, porque a gente é cascagrossa". É claro que eu não tenho certeza disso, pois não conheço a letra inteira; essa informação me foi passada por uma das minhas fontes estrangeiras. Infelizmente, o comitê americano do meu grupo foi um fracasso. Toda vez que tocava uma daquelas músicas patrióticas, eu perguntava "Que música é essa?" e recebia respostas que variavam entre "Não sei" e "Para mim, elas são todas iguais".
Se você tem um barco, você pode subir o rio e lançar âncora na altura das comemorações.
Às 22:00 em ponto, começam os fogos. Devo admitir que eles foram bons. A queima dura 30 minutos e a banda toca músicas que eles tentam sincronizar com os fogos; tem desde "Respect", com a Aretha Franklin, até "Take Five", com o Dave Brubeck.
Dois segundos após o final dos fogos, há um estouro de boiada causado pela súbita correria -- na verdade, é um andar apressado -- das pessoas de volta para os carros. Ninguém quer encarar o engarrafamento. Mas é claro que nós ficamos e apreciamos a noite um pouco mais.
Sou forçado a dizer que gostei do programa. Foi bastante divertido.
Como os americanos dizem: cool!
sexta-feira, outubro 18, 2002
Conexão de Boston #6
Segunda, 29 de junho de 1998 14:25:26 -0400 (EDT)
O verão! Finalmente, essa sagrada estação veio abençoar a capital do Commonwealth de Massachusetts. Não e exatamente um verão carioca, mas estamos trabalhando nisso.
Desde que eu cheguei em Boston, há dois meses atrás, o clima tem variado bastante. Logo que eu cheguei, estava frio e seco. Acostumado com a alta humidade da Cidade Maravilhosa, essa secura foi meio desconfortável. Eu estava constantemente com sede, meu lábio rachou e a minha pela estava meio que descascando. Uma semana mais tarde, o sol mostrou sua cara, mas por pouco tempo. Daí em diante, ficou alternando entre tempo ruim e mais ou menos. Logo depois, começou a chover, mas chover para valer. Houve inundações no estado inteiro. Aqui em Boston, parte do metrô ficou bloqueado por causa da água que encheu as galerias subterrâneas. Me senti de volta ao Rio, quando uma manchete do Boston Globe de domingo mostrou uma punhado de gente tentando empurrar um carro com o nível da agua no capo.
Mais recentemente, a humidade, que estava média, subiu até um nível que consideraríamos normal aí no Rio. É claro que a galera aqui reclamou. E sempre ouço coisas como "It's too muggy." A temperatura também foi nas alturas (para os Bostonianos, isso é 20 e muitos quase 30). Eu tirei uma onda de que o clima estava ótimo, que no Rio era assim o ano todo.
Antes de ontem, o tempo fechou um pouco, mas nada sério. Ontem, graças aos meus contatos automobilísticos, eu fui a uma das praias no norte do estado. Uns 50 minutos de carro. A gente queria ir numa praia que fica dentro de uma reserva, mas estava lotado. Então, ficamos na área pública mesmo. Obviamente, todo mundo estava me tocando um horror, dizendo que a água era muito fria etc. Ela estava fria sim, mas nada demais. O tempo abriu e o sol marcou presença.
De acordo com os meteorologistas, julho vai ser "nice". Vamos ver.
Como diriam os argentinos: vamos a la playa, oh, oh, oh!
Segunda, 29 de junho de 1998 14:25:26 -0400 (EDT)
O verão! Finalmente, essa sagrada estação veio abençoar a capital do Commonwealth de Massachusetts. Não e exatamente um verão carioca, mas estamos trabalhando nisso.
Desde que eu cheguei em Boston, há dois meses atrás, o clima tem variado bastante. Logo que eu cheguei, estava frio e seco. Acostumado com a alta humidade da Cidade Maravilhosa, essa secura foi meio desconfortável. Eu estava constantemente com sede, meu lábio rachou e a minha pela estava meio que descascando. Uma semana mais tarde, o sol mostrou sua cara, mas por pouco tempo. Daí em diante, ficou alternando entre tempo ruim e mais ou menos. Logo depois, começou a chover, mas chover para valer. Houve inundações no estado inteiro. Aqui em Boston, parte do metrô ficou bloqueado por causa da água que encheu as galerias subterrâneas. Me senti de volta ao Rio, quando uma manchete do Boston Globe de domingo mostrou uma punhado de gente tentando empurrar um carro com o nível da agua no capo.
Mais recentemente, a humidade, que estava média, subiu até um nível que consideraríamos normal aí no Rio. É claro que a galera aqui reclamou. E sempre ouço coisas como "It's too muggy." A temperatura também foi nas alturas (para os Bostonianos, isso é 20 e muitos quase 30). Eu tirei uma onda de que o clima estava ótimo, que no Rio era assim o ano todo.
Antes de ontem, o tempo fechou um pouco, mas nada sério. Ontem, graças aos meus contatos automobilísticos, eu fui a uma das praias no norte do estado. Uns 50 minutos de carro. A gente queria ir numa praia que fica dentro de uma reserva, mas estava lotado. Então, ficamos na área pública mesmo. Obviamente, todo mundo estava me tocando um horror, dizendo que a água era muito fria etc. Ela estava fria sim, mas nada demais. O tempo abriu e o sol marcou presença.
De acordo com os meteorologistas, julho vai ser "nice". Vamos ver.
Como diriam os argentinos: vamos a la playa, oh, oh, oh!
sexta-feira, outubro 11, 2002
Conexao de Boston #5
Domingo, 21 de junho de 1998 17:54:53 -0400 (EDT)
Assistir à Copa do Mundo aqui nos Estados Unidos, definitivamente, não é a mesma coisa do que assistir no Brasil. Embora o caráter internacional da cidade, e em especial da área universitária, faça com que seja fácil encontrar um lugar para assistir aos jogos, bem como uma pequena multidão para acompanhar você, o clima não é o mesmo.
Para começar, os americanos não levam a sério futebol. O Jay Leno, um comediante que tem um programa de entrevistas (o Jô Soares daqui, se bem que o programa do Jô dá de dez a zero no Jay, o Jô pelo menos entrevista os convidados), fez uma piada dizendo que estava com insônia, mas aí ligou uma TV na Copa de Mundo e outra no Torneio de Golfe, e conseguiu dormir. Isso demonstra, mais ou menos, como que a coisa rola por aqui. Só uma estação de acesso publico, a ABC, está transmitindo os jogos e, mesmo assim, só alguns. Para ver a Copa em todo o seu esplendor, você tem que ter TV a cabo e assinar a ESPN e a ESPN2 (embora, se eu não me engano, a TV espanhola, a Univision, também esteja transmitindo os jogos, mas aí você tem que aguentar coisas como "tiro de esquina" :).
Mas isso não quer dizer que todos os americanos odeiam futebol. Muitos gostam. Infelizmente, os Estados Unidos estão fora da Copa depois da derrota para o Iran, hoje. :)
Uma maneira de tentar duplicar o clima brasileiro, é assistir os jogos cercados de brasileiros, obviamente. Até que funciona. Você tem as piadas, os comentários sarcásticos, a vibração. Bem legal mesmo. Mas eu sinto falta daquela sensação de "colméia". Sabe como é, quando o Brasil quase faz um gol e você pode ouvir o "Uuuuhhhhh" ressonando pela cidade inteira, e saber que aquilo está acontecendo no país inteiro.
Vamos ver, se o Brasil ganhar a Copa, eu vou para Allston. Caso vocês tenham esquecido, Allston parece ser a vizinhança brasileira em Boston. E, pelo que eu ouvi, as coisas ficaram bem animadas lá, quando o Brasil foi tetra.
Como diz o Zagalo: empate é um bom resultado.
Domingo, 21 de junho de 1998 17:54:53 -0400 (EDT)
Assistir à Copa do Mundo aqui nos Estados Unidos, definitivamente, não é a mesma coisa do que assistir no Brasil. Embora o caráter internacional da cidade, e em especial da área universitária, faça com que seja fácil encontrar um lugar para assistir aos jogos, bem como uma pequena multidão para acompanhar você, o clima não é o mesmo.
Para começar, os americanos não levam a sério futebol. O Jay Leno, um comediante que tem um programa de entrevistas (o Jô Soares daqui, se bem que o programa do Jô dá de dez a zero no Jay, o Jô pelo menos entrevista os convidados), fez uma piada dizendo que estava com insônia, mas aí ligou uma TV na Copa de Mundo e outra no Torneio de Golfe, e conseguiu dormir. Isso demonstra, mais ou menos, como que a coisa rola por aqui. Só uma estação de acesso publico, a ABC, está transmitindo os jogos e, mesmo assim, só alguns. Para ver a Copa em todo o seu esplendor, você tem que ter TV a cabo e assinar a ESPN e a ESPN2 (embora, se eu não me engano, a TV espanhola, a Univision, também esteja transmitindo os jogos, mas aí você tem que aguentar coisas como "tiro de esquina" :).
Mas isso não quer dizer que todos os americanos odeiam futebol. Muitos gostam. Infelizmente, os Estados Unidos estão fora da Copa depois da derrota para o Iran, hoje. :)
Uma maneira de tentar duplicar o clima brasileiro, é assistir os jogos cercados de brasileiros, obviamente. Até que funciona. Você tem as piadas, os comentários sarcásticos, a vibração. Bem legal mesmo. Mas eu sinto falta daquela sensação de "colméia". Sabe como é, quando o Brasil quase faz um gol e você pode ouvir o "Uuuuhhhhh" ressonando pela cidade inteira, e saber que aquilo está acontecendo no país inteiro.
Vamos ver, se o Brasil ganhar a Copa, eu vou para Allston. Caso vocês tenham esquecido, Allston parece ser a vizinhança brasileira em Boston. E, pelo que eu ouvi, as coisas ficaram bem animadas lá, quando o Brasil foi tetra.
Como diz o Zagalo: empate é um bom resultado.
sexta-feira, outubro 04, 2002
Conexão de Boston #4
Segunda, 15 de junho de 1998 12:18:59 -0400 (EDT)
Em primeiro lugar, eu gostaria de me desculpar com os meus assinantes pela demora desta edição. Ela deveria ter sido enviada na sexta, mas uma falta de assunto impediu que isto acontecesse. Esse problema já foi resolvido.
Nós aqui na redação temos recebido várias cartas questionando se o autor desta augusta coluna realmente trabalha em Boston, ou se ele foi para essa cidade tentar arrumar um emprego como "promoter" de festas ou crítico de cinema. Para sanar as dúvidas dos leitores, aqui vai um pequeno texto do nosso Augusto escritor.
O mutante fur de E. coli é extremamente sensível a interação letal entre H2O2 e 1,10-fenantrolina, o que está de acordo com o artigo de Furtado et al. (1998). No entanto, o mutante feo também apresentou uma alta sensibilidade ao tratamento, o que parece ser contrário ao que esperávamos.
Agora, de volta à nossa programação normal e continuando com a série "Festas Internacionais", vamos ver como é uma festa brasileiro-holandesa. Festa esta realizada para comemorar a criação do universo segundo o calendário javanês arcaico (a parte brasileira) e uma data menor 15 dias depois (a parte holandesa).
FESTA BRASILEIRO-HOLANDESA: Você leva a sua bebida, mas os donos da festa vão ter comprado alguma, por via das dúvidas. O casaco vai para o quarto. A festa é agitada. Tem gente conversando na cozinha e gente dançando na sala. Tem convidado de tudo quanto é parte do mundo. Lá pela 1:30, a polícia bate na porta e fala para baixar o volume, fechar a janela e se acalmar. A festa continua, com a janela fechada, mas um volume razoável. A festa acaba lá pelas 3:30, com a parte holandesa bêbada e começando a passar mal.
Como diriam os holandeses: Tot ziens!
Segunda, 15 de junho de 1998 12:18:59 -0400 (EDT)
Em primeiro lugar, eu gostaria de me desculpar com os meus assinantes pela demora desta edição. Ela deveria ter sido enviada na sexta, mas uma falta de assunto impediu que isto acontecesse. Esse problema já foi resolvido.
Nós aqui na redação temos recebido várias cartas questionando se o autor desta augusta coluna realmente trabalha em Boston, ou se ele foi para essa cidade tentar arrumar um emprego como "promoter" de festas ou crítico de cinema. Para sanar as dúvidas dos leitores, aqui vai um pequeno texto do nosso Augusto escritor.
O mutante fur de E. coli é extremamente sensível a interação letal entre H2O2 e 1,10-fenantrolina, o que está de acordo com o artigo de Furtado et al. (1998). No entanto, o mutante feo também apresentou uma alta sensibilidade ao tratamento, o que parece ser contrário ao que esperávamos.
Agora, de volta à nossa programação normal e continuando com a série "Festas Internacionais", vamos ver como é uma festa brasileiro-holandesa. Festa esta realizada para comemorar a criação do universo segundo o calendário javanês arcaico (a parte brasileira) e uma data menor 15 dias depois (a parte holandesa).
FESTA BRASILEIRO-HOLANDESA: Você leva a sua bebida, mas os donos da festa vão ter comprado alguma, por via das dúvidas. O casaco vai para o quarto. A festa é agitada. Tem gente conversando na cozinha e gente dançando na sala. Tem convidado de tudo quanto é parte do mundo. Lá pela 1:30, a polícia bate na porta e fala para baixar o volume, fechar a janela e se acalmar. A festa continua, com a janela fechada, mas um volume razoável. A festa acaba lá pelas 3:30, com a parte holandesa bêbada e começando a passar mal.
Como diriam os holandeses: Tot ziens!
sexta-feira, setembro 20, 2002
Conexão de Boston #3
Sexta, 5 de junho de 1998 17:54:48 -0400 (EDT)
De acordo com o calendário javanês arcaico, o mundo foi criado no dia 4 de junho, às 20:55. Não por coincidência, essa é a data do meu aniversário. Alguns críticos questionam o fato do mundo ter sido criado no meio do ano e não no início, primeiro de janeiro. Obviamente, esse é o tipo de gente que criticou Jesus Cristo, Darwin e Enéas.
Os americanos, me surpreendendo, prepararam um super festa para mim! Armaram uma tenda enorme em frente a escola médica, contrataram os melhores serviços de buffet e reuniram gente importante só para me desejar um feliz aniversário. Impressionante! Até a Hillary Clinton apareceu! As festividades duraram o dia inteiro! Muito amigáveis, esses bostonianos.
Ah, tinha uma turma de medicina se formando, mas isso é um pequeno detalhe. A festa era realmente para mim. :)
Tudo bem, dia 4 de junho também é o "Degradation..." opa, quero dizer, o "Graduation Day" por aqui. Pela manhã, tem um grande cerimônia no campus de Cambridge, onde são reconhecidas as diferentes escolas e não os indivíduos. De tarde, são realizadas as cerimônias de formatura nas respectivas escolas, e aí sim, os alunos são chamados, nome por nome, para receber o diploma. É exatamente como a gente vê nos filmes: eles usam aquela beca com o chapéu quadrado. Normalmente, a beca é preta, mas algumas escolas tem cores específicas que aparecem em detalhes na beca. A beca dos professores é que é mais carnavalesca. Um detalhe interessante, é que essa beca custa cerca de 400 a 600 dólares! Logo, a maioria aluga, em vez de comprar. Outro detalhe é que doutorando que completou a tese e já defendeu (sendo aprovado, obviamente) se forma. Não é aquela coisa completamente desprovida de ritual que nós temos, onde eles simplesmente mandam o seu diploma para a secretaria.
Ah, a parte da Hillary Clinton é verdade. Ela esteve aqui e fez um discurso para a formatura da turma médica. Eu fiquei a uns 20 metros dela, acho que dava para atirar nela, com uma boa chance de matá-la. Por incrível que pareça, eu não achei a segurança muito boa. Claro, que isso pode ser só uma impressão, e se eu fizesse qualquer movimento esquisito, seria derrubado, fichado e extraditado antes que pudesse dizer "Onde é o Consulado Brasileiro?!!!!!".
Como diz no emblema de Harvard: (In vino) Veritas.
Sexta, 5 de junho de 1998 17:54:48 -0400 (EDT)
De acordo com o calendário javanês arcaico, o mundo foi criado no dia 4 de junho, às 20:55. Não por coincidência, essa é a data do meu aniversário. Alguns críticos questionam o fato do mundo ter sido criado no meio do ano e não no início, primeiro de janeiro. Obviamente, esse é o tipo de gente que criticou Jesus Cristo, Darwin e Enéas.
Os americanos, me surpreendendo, prepararam um super festa para mim! Armaram uma tenda enorme em frente a escola médica, contrataram os melhores serviços de buffet e reuniram gente importante só para me desejar um feliz aniversário. Impressionante! Até a Hillary Clinton apareceu! As festividades duraram o dia inteiro! Muito amigáveis, esses bostonianos.
Ah, tinha uma turma de medicina se formando, mas isso é um pequeno detalhe. A festa era realmente para mim. :)
Tudo bem, dia 4 de junho também é o "Degradation..." opa, quero dizer, o "Graduation Day" por aqui. Pela manhã, tem um grande cerimônia no campus de Cambridge, onde são reconhecidas as diferentes escolas e não os indivíduos. De tarde, são realizadas as cerimônias de formatura nas respectivas escolas, e aí sim, os alunos são chamados, nome por nome, para receber o diploma. É exatamente como a gente vê nos filmes: eles usam aquela beca com o chapéu quadrado. Normalmente, a beca é preta, mas algumas escolas tem cores específicas que aparecem em detalhes na beca. A beca dos professores é que é mais carnavalesca. Um detalhe interessante, é que essa beca custa cerca de 400 a 600 dólares! Logo, a maioria aluga, em vez de comprar. Outro detalhe é que doutorando que completou a tese e já defendeu (sendo aprovado, obviamente) se forma. Não é aquela coisa completamente desprovida de ritual que nós temos, onde eles simplesmente mandam o seu diploma para a secretaria.
Ah, a parte da Hillary Clinton é verdade. Ela esteve aqui e fez um discurso para a formatura da turma médica. Eu fiquei a uns 20 metros dela, acho que dava para atirar nela, com uma boa chance de matá-la. Por incrível que pareça, eu não achei a segurança muito boa. Claro, que isso pode ser só uma impressão, e se eu fizesse qualquer movimento esquisito, seria derrubado, fichado e extraditado antes que pudesse dizer "Onde é o Consulado Brasileiro?!!!!!".
Como diz no emblema de Harvard: (In vino) Veritas.
sexta-feira, setembro 13, 2002
Conexão de Boston #2
Sexta, 29 de maio de 1998 10:45:48 -0400 (EDT)
Olá, amigos!
Como não houve nenhuma reclamação quanto à primeira edição da Conexão de Boston (a não ser, é claro, pelos desocupados que acham que eu não estou fazendo nada de sério aqui :), aqui vai a segunda. Nesta edição, comentarei um pouco sobre Harvard e sobre o fenômeno das festas
internacionais.
A maioria, senão todos, já ouviu falar de Harvard alguma vez na vida. A menção do nome conjura imagens de prédios antigos, estudantes de direito e provas extremamente difíceis. Essas imagens são, geralmente, associadas com o campus de Cambridge, mas eu me encontro no campus de Boston, na área médica. Eu suponho que aqui as coisas sejam parecidas.
A idéia que eu tinha do laboratório para onde eu vim era um pouco diferente da realidade. Eu acreditava que o laboratório seria super hi-tech, com tudo a disposição, mas não e bem assim. Segundo a minha fonte, os diretores de Harvard preferem investir em alunos e materiais, do que em equipamentos e técnicos; ou seja, entre arrumar mais um aluno ou comprar um equipamento novo, eles preferem o aluno. Isso é bom, mas tem seus defeitos. A parte boa é que você não precisa suplicar por uma bolsa, como no Brasil. Harvard quer você aqui (desde que você produza, é claro). E materiais não faltam: pipetas e ponteiras descartáveis, todos os reagentes que você precisar, e se você não encontrar algo, é só encomendar. Por outro lado, os equipamentos aqui (balanças, máquinas de PCR) são meio velhas. As balanças, por exemplo, são, na maioria, analógicas. E a falta de técnicos significa que você tem que fazer tudo para os seus experimentos, desde do tampão até a autoclavagem da vidraria. Eu sei que na maior parte dos laboratórios brasileiros esta seja, talvez, a situação, mas, no meu, nós temos o André e a Janine, que economizam um tempo precioso. Como os estudantes têm que produzir, eles acabam se virando.
Mesmo assim, este é um grande laboratório. E o fato de ter o nome de Harvard ajuda numa série de coisas.
E agora, o meu outro tópico. Como vocês sabem, sou uma pessoa muito social e já me enturmei com a galera daqui. Como resultado, fui a algumas festas que eram, primariamente, comandadas por gente de outras nacionalidades. E, na minha função de correspondente avançado, vou fazer um pequeno resumo de cada uma (devidamente enriquecido com um conteúdo humorístico).
FESTA AMERICANA: Você tem que levar a sua bebida. Quando chega, você deixa o seu casaco na cama do dono da casa. Na sala, tem um monte de gente conversando. Música ambiente. Você põe uma música mais agitada e o pessoal vai para a cozinha e depois vai embora. A festa até fica mais agitadinha, mas não dura muito. Às 1:30 alguém chega dizendo que tem uma festa muito melhor em outro lugar e você vai embora.
FESTA BÚLGARA: As bebidas já estão lá, você não tem que levar nada. O casaco fica na cozinha. Muito mais agitada. Todo mundo esta dançando, geralmente num lugar apertado, como uma kitchenette. A maioria dos convidados parece estar falando grego. Lá pelas tantas, alguém coloca um CD com a trilha sonora de um obscuro filme búlgaro (para quem faz questão de saber, o nome do filme é "Underground") e os homens búlgaros dão os braços e começam a girar na sala (uma força de expressão, "lugar extremamente pequeno" é mais apropriado) cantando algo incompreensivo e quase acertando alguém. Em seguida, com música mais normal tocando, um
búlgaro específico (é o mesmo cara em todas as festas) pega uma frigideira (pode ser qualquer panela) e começa a bater nela com uma colher, sem nenhum compromisso em seguir o ritmo da música. Você vai embora às 3 da manhã cheirando a cigarro e a festa ainda está rolando.
FESTA GREGA: Seu amigo vai ter falado muito bem deste tipo de festa. A bebida também já esta lá. Não deixa o casaco em lugar nenhum. Todo mundo está super arrumado e a festa está razoavelmente agitada. A maioria dos convidados está realmente falando grego. O som alterna entra músicas dance e músicas gregas, que os gregos dançam de uma forma meio árabe. A festa não é tudo aquilo que você esperava e você vai embora por volta de 1.
Como diriam os Assírios: esta festa é uma brasa, mora?!
Sexta, 29 de maio de 1998 10:45:48 -0400 (EDT)
Olá, amigos!
Como não houve nenhuma reclamação quanto à primeira edição da Conexão de Boston (a não ser, é claro, pelos desocupados que acham que eu não estou fazendo nada de sério aqui :), aqui vai a segunda. Nesta edição, comentarei um pouco sobre Harvard e sobre o fenômeno das festas
internacionais.
A maioria, senão todos, já ouviu falar de Harvard alguma vez na vida. A menção do nome conjura imagens de prédios antigos, estudantes de direito e provas extremamente difíceis. Essas imagens são, geralmente, associadas com o campus de Cambridge, mas eu me encontro no campus de Boston, na área médica. Eu suponho que aqui as coisas sejam parecidas.
A idéia que eu tinha do laboratório para onde eu vim era um pouco diferente da realidade. Eu acreditava que o laboratório seria super hi-tech, com tudo a disposição, mas não e bem assim. Segundo a minha fonte, os diretores de Harvard preferem investir em alunos e materiais, do que em equipamentos e técnicos; ou seja, entre arrumar mais um aluno ou comprar um equipamento novo, eles preferem o aluno. Isso é bom, mas tem seus defeitos. A parte boa é que você não precisa suplicar por uma bolsa, como no Brasil. Harvard quer você aqui (desde que você produza, é claro). E materiais não faltam: pipetas e ponteiras descartáveis, todos os reagentes que você precisar, e se você não encontrar algo, é só encomendar. Por outro lado, os equipamentos aqui (balanças, máquinas de PCR) são meio velhas. As balanças, por exemplo, são, na maioria, analógicas. E a falta de técnicos significa que você tem que fazer tudo para os seus experimentos, desde do tampão até a autoclavagem da vidraria. Eu sei que na maior parte dos laboratórios brasileiros esta seja, talvez, a situação, mas, no meu, nós temos o André e a Janine, que economizam um tempo precioso. Como os estudantes têm que produzir, eles acabam se virando.
Mesmo assim, este é um grande laboratório. E o fato de ter o nome de Harvard ajuda numa série de coisas.
E agora, o meu outro tópico. Como vocês sabem, sou uma pessoa muito social e já me enturmei com a galera daqui. Como resultado, fui a algumas festas que eram, primariamente, comandadas por gente de outras nacionalidades. E, na minha função de correspondente avançado, vou fazer um pequeno resumo de cada uma (devidamente enriquecido com um conteúdo humorístico).
FESTA AMERICANA: Você tem que levar a sua bebida. Quando chega, você deixa o seu casaco na cama do dono da casa. Na sala, tem um monte de gente conversando. Música ambiente. Você põe uma música mais agitada e o pessoal vai para a cozinha e depois vai embora. A festa até fica mais agitadinha, mas não dura muito. Às 1:30 alguém chega dizendo que tem uma festa muito melhor em outro lugar e você vai embora.
FESTA BÚLGARA: As bebidas já estão lá, você não tem que levar nada. O casaco fica na cozinha. Muito mais agitada. Todo mundo esta dançando, geralmente num lugar apertado, como uma kitchenette. A maioria dos convidados parece estar falando grego. Lá pelas tantas, alguém coloca um CD com a trilha sonora de um obscuro filme búlgaro (para quem faz questão de saber, o nome do filme é "Underground") e os homens búlgaros dão os braços e começam a girar na sala (uma força de expressão, "lugar extremamente pequeno" é mais apropriado) cantando algo incompreensivo e quase acertando alguém. Em seguida, com música mais normal tocando, um
búlgaro específico (é o mesmo cara em todas as festas) pega uma frigideira (pode ser qualquer panela) e começa a bater nela com uma colher, sem nenhum compromisso em seguir o ritmo da música. Você vai embora às 3 da manhã cheirando a cigarro e a festa ainda está rolando.
FESTA GREGA: Seu amigo vai ter falado muito bem deste tipo de festa. A bebida também já esta lá. Não deixa o casaco em lugar nenhum. Todo mundo está super arrumado e a festa está razoavelmente agitada. A maioria dos convidados está realmente falando grego. O som alterna entra músicas dance e músicas gregas, que os gregos dançam de uma forma meio árabe. A festa não é tudo aquilo que você esperava e você vai embora por volta de 1.
Como diriam os Assírios: esta festa é uma brasa, mora?!
sexta-feira, setembro 06, 2002
Conexão de Boston #1
Sexta, 22 de Maio de 1998 18:27:23 -0400 (EDT)
Caros amigos,
Como prometido, aqui está a primeira edição da coluna semanal "Conexão de Boston", que vai tratar de diversos assuntos relacionados à minha estada em Boston (se o Nelson Motta, o Lucas Mendes e o Caio Blinder podem ter a deles, eu também posso ter a minha :).
Hoje eu vou contar as impressões que eu recolhi sobre a cidade, tanto por experiência própria, como conversando com outras pessoas.
Bom, o que dizer? Boston é uma cidade de estudantes num estado fundado por puritanos. A maioria das boites, bares etc fecham às 2 da manhã. Só não digo que são todos os lugares, porque estou aqui há pouco tempo. A cidade também tem um ar de transitoriedade, como se ninguém realmente vivesse aqui, que advém principalmente do fato de que a maioria dos estudantes desaparece durante o verão.
Embora tudo pareça estar longe aqui em Boston, dá para ir andando para a maioria dos lugares (desde que vc goste de andar). A cidade é bem bonita, logo andar é realmente um bom programa. Se vc não gosta de andar, pode comprar uma bicicleta. Usada, obviamente. Primeiro, porque uma bicicleta nova pode custar entre 300 e 400 dólares; e segundo, porque a taxa de roubo de bicicletas aqui é alta.
Os aluguéis também são caros por aqui. Um studio (nosso famoso kitchenette, só que um pouco mais arrumadinho) esta por volta de 800+ dólares por mês, um apartamento de 1 quarto, 1.000+ dólares. Apartamentos com um maior número de quartos são mais caros, mas aí vc pode dividir com outras pessoas, os famosos "roommates", e acaba saindo mais barato. Eu vivo em Brookline, que parece um bairro, mas é, na verdade, uma cidade diferente. É como se o bairro do Flamengo fosse outro município.
O clima agora está melhor: sol todo dia, temperatura amena. Mas duas semanas atrás encaramos 10 dias de chuva, um climazinho miserável. O verão parece ser como o do Rio, mas eu dedicarei uma coluna só para ele em breve. E outra para o terrível inverno, é claro.
Por enquanto é só! Até a próxima Conexão de Boston.
Como diriam os puritanos:
"Vai na fe!"
Sexta, 22 de Maio de 1998 18:27:23 -0400 (EDT)
Caros amigos,
Como prometido, aqui está a primeira edição da coluna semanal "Conexão de Boston", que vai tratar de diversos assuntos relacionados à minha estada em Boston (se o Nelson Motta, o Lucas Mendes e o Caio Blinder podem ter a deles, eu também posso ter a minha :).
Hoje eu vou contar as impressões que eu recolhi sobre a cidade, tanto por experiência própria, como conversando com outras pessoas.
Bom, o que dizer? Boston é uma cidade de estudantes num estado fundado por puritanos. A maioria das boites, bares etc fecham às 2 da manhã. Só não digo que são todos os lugares, porque estou aqui há pouco tempo. A cidade também tem um ar de transitoriedade, como se ninguém realmente vivesse aqui, que advém principalmente do fato de que a maioria dos estudantes desaparece durante o verão.
Embora tudo pareça estar longe aqui em Boston, dá para ir andando para a maioria dos lugares (desde que vc goste de andar). A cidade é bem bonita, logo andar é realmente um bom programa. Se vc não gosta de andar, pode comprar uma bicicleta. Usada, obviamente. Primeiro, porque uma bicicleta nova pode custar entre 300 e 400 dólares; e segundo, porque a taxa de roubo de bicicletas aqui é alta.
Os aluguéis também são caros por aqui. Um studio (nosso famoso kitchenette, só que um pouco mais arrumadinho) esta por volta de 800+ dólares por mês, um apartamento de 1 quarto, 1.000+ dólares. Apartamentos com um maior número de quartos são mais caros, mas aí vc pode dividir com outras pessoas, os famosos "roommates", e acaba saindo mais barato. Eu vivo em Brookline, que parece um bairro, mas é, na verdade, uma cidade diferente. É como se o bairro do Flamengo fosse outro município.
O clima agora está melhor: sol todo dia, temperatura amena. Mas duas semanas atrás encaramos 10 dias de chuva, um climazinho miserável. O verão parece ser como o do Rio, mas eu dedicarei uma coluna só para ele em breve. E outra para o terrível inverno, é claro.
Por enquanto é só! Até a próxima Conexão de Boston.
Como diriam os puritanos:
"Vai na fe!"
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